Fragmentos de Fractal – Monstro.

Monstro

Um dia.

Um dia passou desde que entramos na floresta, encontramos um riacho, onde todos beberam água, a primeira coisa que colocamos na boca desde que chegamos, foi a água mais gostosa de toda minha vida, mesmo com o gosto de areia. ela era a unica coisa que tinha para beber. Durante todo o percurso não encontramos nenhum animal, o Loiro nos fez prepara um acampamento em uma área mais aberta.

Nosso acampamento se resumia em galhos cruzados em X com folhas grandes sobre os galhos, como não havia sinal de chuvas não era preciso nada mais detalhado, disse o Loiro enquanto estava ensinando a montar as cabaninhas.

No grupo haviam 3 crianças, contando comigo 4, sim eu ainda sou uma criança, não me venha com essa de pre adolescente, estou no auge da minha infância com meus 15…16 anos, eu não sei bem já que eu não sei quanto tempo eu passei no espaço dentro daquela bolha. Das crianças eu sou a mais velha, e todas elas estão com seus familiares. Acho que o total de pessoas do nosso grupo é de 20.

Segundo dia.

As pessoas do grupo estão claramente alteradas, eu acho que todas eles nunca ficaram um dia inteiro sem comer. Mesmo com nossos corpos sendo colocados em sua melhor condição física isso não significa que viramos super humanos, somos apenas pessoas muito saudáveis e mesmo essas pessoas ficam fracas sem ingerir alimento.

A maioria das mulheres está com uma expressão de desespero, olhando para tudo e para todos sem parar enquanto seguimos ao longo do riacho que para a nossa tristeza depois de alguns quilômetros do local onde o encontramos, seu curso é por debaixo da terra ao entrar em uma pequena fenda nas rochas.

Parte das pessoas não quis se distanciar da fonte de água, o grupo foi divido em dois. Eu segui o Loiro, ele falou que ficar parado não ajudaria em nada, com apenas água não é possível sobreviver. E com isso estamos com 7 pessoas no grupo.

Eu agora sou a unica criança, todas as crianças ficaram no riacho, e o pai de algumas estão no nosso grupo com a promessa de retornar para buscar sua família caso encontrasse algo.

Minha interação com o grupo é quase que inexistente, eu apenas estou seguindo eles, não que eu posso fazer algo de útil então, não faz diferença. Porem os homens ocasionalmente soltam olhares em minha direção, provavelmente para ver se eu estou conseguindo acompanhar.

A noite os homens revesavam turnos de vigia, mesmo que não tivesse nada, o Loiro falou que isso era indispensável.

Está noite eu vi algo vermelho cruzando o céu estrelado como uma estrela cadente, deixando apenas um rastro vermelho, eu não sei o que era, porem por algum motivo isso me deu forças, já estamos a dois dias sem comer e nossa condição tem piorado bastante, mas aquela luz vermelha me deu um pouco de forças.

Não sei se isso era uma estrela ou outra coisa, mas eu fiz um pedido, não sendo gananciosa, eu pedi apenas que as coisas mudassem, eu não me perdoaria se eu apenas morresse sem ter chance de lutar, assim como na Terra.

E quando eu estava para dormir, algo aconteceu.

Um grito estridente de uma ave, ou algo semelhante, o som tão forte que fez as árvores vibrarem e nossos corações pararem por um segundo. Eu não faço ideia do que pode ter feito esse barulho, mas para algo fazer esse barulho, ela tem que ser grande, muito grande.

“O que foi isso!?”

“Eu não faço ideia!”

Alguém perguntou ao Loiro mas ele também não fazia ideia. Todos nós apenas continuamos parados, sem saber o que fazer, ninguém sabia de qual direção o grito viera, então não sabíamos para qual lado correr. Até que alguém grita apontando para o céu.

“Olhem! O que é aquilo!?”

“M-monstro!”

No céu estrelado, um ser podia ser claramente visto mesmo seu corpo sendo intensamente preto, mais preto que o céu da noite ao seu redor. Com quatro asas ligadas a um corpo redondo, ele não tinha membros, apenas asas. Eu não consigo ver mas ele deve ter uma boca, afinal, não se pode gritar daquele jeito sem uma boca.

Mas uma coisa era certa, e todos sabiam no momento em que viram aquilo, PERIGO, aquele bicho era perigoso, meu coração estava batendo tão rápido que eu conseguia sentir ele bater na ponta dos meus dedos.

E naquele exato momento, que o bicho alado passava por cima de onde estávamos, ele parou, e lentamente girou no ar e foi quando eu vi… três olhos vermelhos, os olhos estavam olhando para mim, estava olhando para nós, estava olhando para sua comida.

 

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